Uma mulher de 43 anos está internada em estado grave, em Belo Horizonte, por suspeita de intoxicação com uso de canetas emagrecedoras falsificadas vindas do Paraguai e vendidas de forma irregular no Brasil.
A mulher deu entrada no hospital Júlia Kubitschek no final de dezembro com um quadro agudo associado ao uso de tirzepatida manipulada, popularmente conhecida como Mounjaro, sem indicação médica. Segundo a família, a mulher começou a tomar o remédio em novembro.
Ela deu entrada no hospital com urina vermelhada, fraqueza muscular, dor abdominal, vômitos e crise convulsiva. Ela chegou a ficar três dias internada e recebeu alta, mas voltou ao hospital após a piora dos sintomas e a evolução para um quadro de progressão do déficit neuromuscular e insuficiência respiratória, necessitando de intubação.
Diante do caso, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) alertou para os riscos do uso dessas canetas emagrecedoras sem procedência que tem se popularizado no Brasil.
O médico endocrinologista Rodrigo Lamounier, integrante da entidade e diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), afirmou que o quadro da paciente é compatível com a intoxicação pelo uso desse tipo de medicamento e ressaltou os riscos.
‘Sem dúvida nenhuma que todo medicamento, ele é usado pelo seu potencial benefício, mas ele tem também um risco inerente que é de qualquer tratamento, de qualquer intervenção e, naturalmente, que se você faz uso de uma medicação sem procedência, sem controle sanitário, controle sobre o processo de produção, o tipo de recipiente que é usado em torno da molécula, tudo isso pode trazer risco à saúde potencialmente’.
A família da mulher disse não saber como ela comprou o medicamento. Procurada, a Vigilância Sanitária de Belo Horizonte informou que faz a fiscalização de estabelecimentos que vendem ou que aplicam medicamentos para verificar o cumprimento da legislação vigente.

