Um aumento nos tiroteios e atentados com bombas ligados a gangues ao longo da última década, dezenas dos quais foram cometidos por menores de idade, colocou a Suécia em uma situação diferente de seus pares europeus e deixou as autoridades diante de um problema urgente: o que fazer com crianças que matam.
O governo, no poder desde 2022 e se preparando para uma eleição apertada em setembro, na qual o crime é um tema central, afirma que a abordagem mais branda do passado falhou e que é hora de adotar uma postura mais dura, enviando crianças com menos de 15 anos para a prisão em vez de encaminhá-las para o sistema de assistência social.
Sob uma nova lei proposta, a idade de responsabilidade criminal será reduzida de 15 para 13 anos — abaixo da maioria dos países europeus — e menores condenados pelos crimes mais graves serão presos em prisões especiais. Uma delas será destinada a meninas.
Na prisão de Rosersberg, ao norte de Estocolmo, uma das três unidades sendo reconstruídas para os adolescentes mais violentos, a vida atrás das grades será centrada na educação.
No tempo livre, os detentos poderão assistir televisão, jogar videogame ou treinar em uma academia. As celas serão trancadas a partir das 20h todas as noites.
O diretor da prisão, Gabriel Wessman, espera receber os primeiros internos após o verão. Ele afirmou que o maior desafio em comparação com presos adultos será oferecer conforto e apoio aos adolescentes, alguns dos quais nunca viveram longe dos pais.
A Suécia enfrenta uma onda de crimes de gangues, com redes envolvidas em tráfico de drogas, fraudes em larga escala e roubos que lhes rendem cerca de 185 bilhões de coroas suecas (equivalente a US$ 20 bilhões) por ano.
O governo de direita afirma que sua repressão está surtindo efeitos. Quarenta e quatro pessoas foram mortas a tiros em 2025, abaixo do pico de 62 em 2022. Mais membros de gangues estão atrás das grades.
Mas impedir que as gangues recruten crianças será muito mais difícil. O governo afirma que a prisão funcionará como fator de dissuasão e que programas intensivos de reabilitação evitarão a reincidência.
Até agora, os piores infratores juvenis da Suécia eram tratados pelos serviços sociais. Mas esse sistema é amplamente visto como um fracasso. Um relatório do Gabinete Nacional de Auditoria da Suécia afirmou que nove em cada dez jovens membros de gangues em abrigos juvenis voltam a cometer crimes. Oito em cada dez acabam na prisão quando adultos.
Críticos se preocupam com o impacto sobre as crianças.
O líder do grupo do Partido da Esquerda, Samuel Gonzalez Westling, disse que seu partido é “fortemente contrário” à redução da idade para responsabilização penal.
As autoridades de aplicação da lei e do sistema prisional da Suécia também expressaram preocupações.


